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Abstract

4 pilares estratégicos para a área da saúde, segundo o Fórum Econômico Mundial

Atualizado: 13 de jun. de 2023


A pandemia da Covid-19 acelerou o processo de inovação na área da saúde e evidenciou desafios globais que precisam ser enfrentados no âmbito das iniciativas públicas e privadas. O cenário está mais complexo e exige alinhamento de todos os atores envolvidos com o tema.

Mas qual é esse novo contexto e como enfrentá-lo nos próximos anos? O Fórum Econômico Mundial, em colaboração com a LEK Consulting, traça algumas perspectivas no recente relatório Global Health and Healthcare Strategic Outlook: A Shared Vision for 2035.


O documento elenca quatro pilares estratégicos para a saúde:

  • equidade;

  • transformação dos sistemas de saúde;

  • tecnologia e inovação;

  • e sustentabilidade ambiental.

Veja, a seguir, como essas questões devem ser trabalhadas nos próximos anos pelos diferentes segmentos de saúde.


Pilares estratégicos da saúde até 2035


Tendo a redução da desigualdade no acesso à saúde como uma das principais barreiras a ser enfrentada, o documento apresenta o contexto para cada um dos quatro pilares estratégicos. Além disso, aponta as iniciativas de curto, médio e longo prazos, que podem atenuar os desafios na área da saúde até 2035.


Acesso equitativo


O relatório destaca que a saúde é influenciada por fatores sociais, sendo determinada por aspectos como a região em que a pessoa vive, suas condições de trabalho, entre outros pontos. Ou seja, mesmo em um cenário de avanços tecnológicos e cooperação internacional, o acesso aos serviços de saúde ainda é marcado pela desigualdade.


Nesse sentido, o levantamento aponta que, cada vez mais, as empresas devem ser incentivadas a investirem na saúde de seus funcionários, de forma proativa. Na visão para os próximos anos, são apresentadas algumas das principais iniciativas de curto, médio e longo prazo para reduzir as desigualdades.

  • Curto prazo: a proposta é manter os investimentos na descentralização e em modelos alternativos de atendimento. É o caso dos cuidados domiciliares (home care). O foco deve ser ajudar a melhorar o acesso à saúde e à assistência essencial.

  • Médio prazo: outro aspecto importante é alcançar uma representação mais igualitária em ensaios clínicos para melhorar a base de evidências para a tomada de decisões e aprimorar a compreensão de doenças e tratamento adequado em diferentes regiões do planeta.

  • Longo prazo: o estudo também defende a ampliação dos investimentos nos serviços de saúde em países de baixa e média renda para reduzir a disparidade global.

Transformação dos sistemas de saúde


A pandemia da Covid-19 demonstrou que a resiliência dos sistemas de saúde é indispensável para enfrentar as crises sanitárias, que não se limitam às epidemias globais. A população está envelhecendo e a prevalência de doenças crônicas e não transmissíveis é alta, exigindo uma preparação para o futuro.


O relatório aponta que, além de aumentar o investimento na prevenção, também é crucial focar na manutenção da saúde após o diagnóstico de uma condição. Essa é uma das estratégias para minimizar o impacto nos sistemas de saúde. Quanto às perspectivas até 2035, o estudo indica as principais ações a serem adotadas, de forma imediata e gradativa.


  • Curto prazo: garantir que todos os sistemas de saúde globalmente retornem à estabilidade pré-pandêmica.

  • Médio prazo: investir e diversificar as cadeias de abastecimento para garantir a resiliência e confiança dos sistemas de saúde. Visa garantir que todos os países possam ter acesso a medicamentos, equipamentos e outros recursos de maneira confiável.

  • Longo prazo: reorientar os sistemas de saúde com foco no valor, e não no volume, dos serviços de saúde. A ideia é priorizar a qualidade do atendimento e a prevenção de doenças, e não apenas a quantidade de atendimentos prestados. Também envolve uma maior ênfase na preservação da saúde mesmo após o diagnóstico de uma doença, além do acompanhamento de relatórios e métricas de resultado para avaliar o desempenho do sistema de saúde.

Tecnologia e inovação


O relatório enfatiza o potencial da tecnologia e da inovação em saúde, abrangendo desde a criação de novos tratamentos até a melhoria dos resultados dos pacientes e a identificação precoce de condições para prevenção. No entanto, aponta a preocupação de que os gastos com saúde estão crescendo mais rápido do que o PIB global, um ritmo que não é sustentável a longo prazo.


Diante desse desafio, o documento recomenda que o ecossistema de inovação em saúde tenha foco não somente nas receitas, mas também em como seus produtos e serviços podem levar a economias de custos, aumentar a eficiência e adicionar valor aos métodos de tratamento existentes. Confira as ações de curto a longo prazos indicadas pelo estudo.


  • Curto prazo: incentivar o investimento em inovação para o desenvolvimento e comercialização de medicamentos, otimização da cadeia de suprimentos e entrega de cuidados de saúde.

  • Médio prazo: padronizar o uso e a aplicação de dados em toda a indústria de saúde e entre diferentes regiões geográficas.

  • Longo prazo: colaborar com os legisladores para criar um ambiente regulatório que incentive e conduza a inovação em todas as regiões e em todas as partes do sistema de saúde. Essa abordagem pode incluir mudanças na regulamentação que removam obstáculos desnecessários à inovação e promovam a adoção de novas tecnologias e abordagens.

Sustentabilidade ambiental


De acordo com o relatório, a indústria da saúde tem uma grande pegada ambiental, representando cerca de 4,4% das emissões líquidas globais de dióxido de carbono. O impacto do setor somado ao de outros segmentos econômicos está agravando a crise climática, que, por sua vez, também pressiona os sistemas de saúde.


Os eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes, acentuam as desigualdades, na medida em que afetam fatores sociais relacionados à saúde, como moradia e alimentação. A área da saúde deve, portanto, adotar iniciativas gradativas para atenuar o impacto ambiental.


  • Curto prazo: a área da saúde precisa incorporar pilares ambientais, sociais e de governança, definindo e acompanhando um conjunto de métricas de forma centralizada.

  • Médio prazo: a recomendação é ampliar os investimentos em países de baixa e média renda para reduzir o impacto das mudanças climáticas na saúde.

  • Longo prazo: o relatório orienta que sejam adotadas medidas para reduzir a pegada climática da indústria da saúde, concentrando-se nos segmentos responsáveis pela maioria das emissões e sem comprometer o atendimento centrado no paciente e a promoção da equidade.


Soluções e oportunidades no radar


Existem diferentes caminhos que podem ser adotados tanto pelo sistema público quanto pela iniciativa privada. Confira as principais soluções e oportunidades elencadas pelo relatório.

  • Colaborações entre indústrias: as parcerias entre provedores de saúde e empresas de outros segmentos pode ajudar a superar barreiras, desde que haja alinhamento em relação às missões das organizações que estão se unindo para alcançar objetivos em comum.

  • Empoderamento do paciente: encorajar os pacientes a assumirem responsabilidade pela própria saúde e bem-estar, geralmente por meio de incentivos contribui para a mudança de comportamentos, que podem melhorar as condições de saúde da população.

  • Política e defesa de direitos: a mudança sistêmica da saúde também prevê o uso de alavancas políticas e advocacia. É o caso das soluções em saúde digital, que requer segurança, privacidade e interoperabilidade dos dados.

  • Digitalização, IA e big data: o documento destaca que os avanços tecnológicos podem contribuir para construir uma infraestrutura de dados adequada para o futuro. Dessa forma, viabiliza a aplicação dos dados na tomada de decisões com foco em gerar resultados efetivos para os pacientes.

  • Descentralização: o estudo aponta para a necessidade de aliviar a pressão sobre a capacidade dos hospitais, direcionando os cuidados para fora do ambiente hospitalar tradicional. As soluções digitais são citadas como exemplo de descentralização, no entanto, o componente humano é essencial no gerenciamento das condições de saúde.

  • Colaboração global: outro ponto defendido é o trabalho em conjunto a nível global para resolver problemas de saúde.

  • Modelos de financiamento inovadores: o uso de novas formas de financiamento para atender à crescente demanda por serviços de saúde é mais um caminho para resolver os problemas atuais da área.

  • Parcerias público-privadas (PPP): esse tipo de colaboração, em que parceiros compartilham riscos, recursos, responsabilidades e autoridade de tomada de decisões, é essencial para o sucesso das ações conjuntas.

O cenário complexo da saúde exige um ecossistema fortalecido para criar soluções que, efetivamente, resolvam problemas desafiadores, como a desigualdade de acesso. Esse contexto faz com que os hubs de inovação e as healthtechs ganhem cada vez mais relevância em relação aos pilares estratégicos para a área da saúde.


Gostou do artigo? Então, continue no nosso blog e confira as tendências para as healthtechs em 2023.

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